IoT Nível 1: recon de hardware e extração de firmware
Achar a UART, ler a placa e extrair o firmware do seu próprio aparelho — o início de toda pesquisa de IoT, seguindo a metodologia OWASP FSTM.
root808
12 de out. de 2026 · 13 min de leitura
O firmware é a joia da coroa: é todo o código do aparelho. Com ele em mãos você faz análise estática sem risco de brickar nada. A OWASP FSTM (a metodologia de referência) define nove etapas; aqui cobrimos as três primeiras — obter, encontrar as interfaces e extrair — sempre no seu próprio device.
Formas de obter o firmware (FSTM, etapa 2)
Em ordem de preguiça: baixar do site do fabricante (muitos publicam as imagens de update); capturar a atualização OTA que o device baixa; ou, quando não há jeito, ler direto do chip de flash. A FSTM é explícita: não existe um método único — você tenta o mais fácil primeiro.
Achar as interfaces de debug
Abra o aparelho e procure um conjunto de 4 pads/pinos próximos: tipicamente VCC, GND, TX e RX — isso é UART. Com o multímetro em continuidade você acha o GND; o TX é o pino que oscila no boot. O baud rate comum é 115200. Conectado o USB-UART, você costuma cair num log de boot — e, com sorte, num shell.
# conversar com a UART do SEU device
picocom -b 115200 /dev/ttyUSB0
# se aparecer o log do U-Boot ou um shell, você está dentro
# do console de debug que o fabricante esqueceu ligadoDump da flash SPI
Se a UART não dá o firmware, vai no chip. Identifique a flash SPI (um SOIC-8, ex.: Winbond W25Q), prenda o clipe e leia com o CH341A + flashrom. Essa é a técnica de 'chip-off lógico' — você copia a memória sem dessoldar.
# ler a flash SPI com o programador CH341A
flashrom -p ch341a_spi -r firmware.bin
# agora você tem uma cópia byte a byte do firmwareExtrair o filesystem
Com a imagem salva, o binwalk reconhece e extrai o que estiver dentro: kernel, um filesystem SquashFS, bootloader. A partir daí é análise estática — ler scripts de init, procurar credenciais fixas, chaves e binários suspeitos no Ghidra. É aqui que as classes clássicas (senha hardcoded, command injection, update sem assinatura) aparecem.
binwalk -e firmware.bin # extrai o conteúdo
grep -rniE 'password|admin|key' squashfs-root/etc
# procure segredos, contas de serviço e configs reveladorasAchar o bug é metade. A outra metade é reportar direito — e essa é a parte que separa pesquisa de barulho.
Quando achar algo, pratique divulgação responsável (Nível 5 da série). Referência máxima de IoT ofensivo publicado: a Keen Security Lab (Tencent) comprometeu a Tesla remotamente e publicou o paper 'Over-The-Air' na Black Hat USA 2018 — um estudo de caso de como cadeia de bugs vira impacto real, feito com divulgação coordenada. Metodologia: OWASP FSTM.
root808
Pesquisa de segurança, do hardware à órbita — sempre dentro do escopo.
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